domingo, 14 de junho de 2009

Se os corações falassem...

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"O coração, se pudesse pensar, pararia".

.................................................Fernando Pessoa

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Se os corações falassem não haveria ouvidos para ouvi-los. Não por falta de vontade ou indiferença, mas porque se os corações falassem, soltariam gritos ensurdecedores, ao passo que os tímpanos estourariam-se por completo. Pensou muito bem aquele que um dia resolveu criar em nós, o coração. A “maquinidade” da coisa foi tão poderosa que se encaixou perfeitamente no lugar aonde ele deveria ficar. O coração só serve se for dentro de nós, pois apenas nós poderíamos aguentar o barulho das nossas dores. O espaço de memória é tamanha que nem mesmo o nosso cérebro poderia registrar tão rapidamente e por tanto tempo a quantidade de sofrimento. O coração também recebe alegrias de vez em quando, para suprir as necessidades humanas do “existir” interior, pois nem só de dor vive o ser humano.
Um dia, é claro, a dor explode, e com ela, o desespero. Simplesmente não sabemos aonde colocar tudo o que sentimos. A dor como bem pensaria o ser racional, deveria sair mesmo, mas ao contrário do que muitos pensam, ela não pode fazer isso. Deve coexistir com as outras frações de sentimentos possíveis. A dor gritante não se esconde no silêncio, nem em um turbilhão de outros barulhos. Não se esconde porque está sempre lá. Uma hora ela some, mas sempre acaba aparecendo.É como respirar, comer ou dormir. Simplesmente sentimos uma necessidade eterna no sofrer.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

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Vivemos nossas vidas numa realidade inventada, atrás das palavras de um longo romance. Cada palavra desta história é datilografada pelo major numa máquina de escrever barata. Nada do que é escrito, portanto, escapa à sua atenção.
O mundo de Sofia - Jostein Gaarder

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Mudando de cor

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[...]"Desde então a tive na memória com tamanha nitidez que fazia dela o que queria. Mudava de cor seus olhos conforme o meu estado de ânimo: cor de água ao despertar, cor de açucar queimado quando ria, cor de lume quando a contrariava."
Memória de minhas putas tristes - Gabriel Garcia Márquez
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Sabe, é assim que eu me sinto quando ele me olha, mudando de cor, sempre.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Um certo Dr.Toiévski.

Um belo dia um certo amigo me fez uma certa pergunta sobre um certo livro:

- O que você está lendo, Isa?
- Os irmãos Karamazovi, Dostoiévski.
- Dr.Toiévski????
- D-o-s-t-o-i-é-v-s-k-i.
- Uhhhh, Dr.Toiévski?
- Desisto.

Algumas horas depois, pensando sobre a situação, descobri que eu estava errada o tempo todo.
Pois, afinal, eu estava realmente gostando da leitura, do enredo, dos personagens, enfim, do livro. Percebi que, ao ler, me sentia indiretamente curada de quaisquer problemas externos que poderiam vir, porventura, me deixar mal de algum modo.
Resumindo: Dr.Toiévski é um ótimo médico, e tenho dito.

P.S: post dedicado a um certo amigo. ;)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Quando se abrem os olhos

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"Há dois grandes riachos,
Onde existem águas infinitas...
E assim são
Tão somente porque o mar que liga esses caminhos de água
Vem do coração".

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Filosofia das Melancias sobre deficiência e pepinos


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Para quem acompanha o mau andamento do blog, já percebeu que esse post tem muita relação com outro já postado.

Pois bem, as melancias, além de muito democráticas, se parecem muito com nós, meros seres pensantes ou não. Não entendo por que muitas pessoas são preconceituosas em relação aos deficientes físicos ou mentais, já que a maioria come pepinos, estes, aliás, são nada mais, nada menos que melancias mal formadas, ou seja, muitas repudiam os deficientes, mas continuam comendo pepinos. É por essas e outras que eu sempre digo que o mundo não passa de ironias interligadas.

P.S: Post dedicado a Anna Palíndroma. ;)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008